13.11.10

Ainda conversando com Danuza Leão




Bom ,querida, continuei então minha jornada na manhã seguinte.
À partir do Boulevard segui para localizar o Welcome , seu Hotel simples, onde você é tratada como rainha há 20 anos (p. 101). Olhei pra cima e lá estava ele, sobre o Café Mondrian.
Virei à esquerda e deparei-me com a porta de entrada do Hotel. Olhando em volta  me senti familiarizada com a vizinhança que você descreve no livro:  a tabacaria, a casa de chocolates, a farmácia, o Da Rosa, o mercadinho, o supermercado do outro lado da rua (p.101 ). 
Grudada à parede do Hotel não se encontra mais a casa de queijos, Danuza, onde você se sentava a qualquer hora para degustar queijos e vinhos de boa qualidade. Encontrei no mesmo lugar um catering, Cococook (aqui ).
Mas o  mercado de frutas - onde você compra o punhado de cerejas para comer no quarto -, o Chez Paul -com os melhores croissants e brioches da cidade -  estão lá, como você descreve e sempre desfrutou. Assim como estão a sorveteria, as lojinhas de foie gras e de meias, o Carrefour, a livraria de livros de arte, ao virar na Rue de Buci (p. 102). 
Daí não segui, pois o marido e a filha estavam já à minha procura e então voltei para o Boulevard para encontrá-los. Foi então que eu me deparei com outras descobertas e aí ficamos enroscamos por muitas horas: o Marché Saint-Germain, a casa populaire de sopa , a sen.sa.ci.o.nal pastisserie Gérard Mulot, (Mon Dieu).
Depois de uns petiscos no Marché e no Mulot, retomamos juntos o roteiro, já na altura da Saint Sulpice (p.102). Dalí nos perdemos e desviamos até retomar e subir a Rue de Tournons e encontrar o Luxembourg, espetacularmente colorido de outono, onde dedicamos o resto da tarde.
Neste trajeto, cherie, pulamos algumas coisas porque nos deparamos com outras que roubaram totalmente nossa atenção, como a loja de bonecas antigas, a de chapéus artesanais, a de apetrechos de casa, a Saint Sulpice sendo decorada para um casamento, etc. Parávamos para contar História para a filha, também.
Assim ficamos, sem compromisso, num sábado à tarde, descobrindo belezuras, gostosuras, cedendo à paixão inevitável por este quartier.
Ah! Voltamos para jantar no Café de Buci, frescas ostras e um beef bourguignon. E pudemos conferir como estas ruas ficam vibrantes à noite com a quantidade de gente circulando e se divertindo.
Não encontrei Catherine Deneuve, nas minhas andanças na Rue Bonaparte (p.102), assim como ninguém famoso encontrei na feira dominical no Boulevard Raspail. Mas encontrei muitos elegantes, muitos! De fato, a feira é para locais.
Na noite seguinte jantamos na Brasserie Lipp e formos atendidos pelo simpático garçon , Dominique,  que tentava falar portunhol por ter passado um ano no Brasil. 
 Ele fez questão de comentar que o Brasil tinha eleito uma presidenta guerrilheira, mostrando-se antenado com os acontecimentos no Brésil.
 Perguntado sobre seu presidente, respondeu rindo: está enamorado.
A Brasserie  Lipp mantém sua tradição de acolher artistas, políticos, famosos e anônimos turistas acidentais - como nós. (p.100).



Hotel Welcome - sobre Café Mondrian






Fila da sopa





Vitral na Igreja Saint Germain





Louça infantil na vitrine da Maison de Poupée -
Marleneee! olhe isto!
 
Arte e sabor - Gerard Mulot

Restam flores no Luxembourg



Saint Sulpice inspira, claro! Escultura de Pigalle




lateral da Saint German des Prés



O actor grego - Bourgeois

A Tabacaria, a farmácia, o Da Rosa

 

Cadeiras sendo ornamentadas pra casamento - St. Sulpice
 


 


Gerard Mulot


O Lipp



Lojas de alimentos no Marché Saint Germain

Fachada Hotel Welcome




Danuza, nos dias que se seguiram continuei de manhãzinha buscando seus roteiros (de charme, digamos!) , mas também saí do roteiro, muitas vezes, atraída por lugares, coisas , cheiros, cores, sabores  e beleza que me inspiraram cada minuto nesta Paris que revi depois de mais de 10 anos. Me permiti a liberté de descobrir também sozinha outros cantos neste quartier.
Continuarei contando, mais pra frente, pois ainda nem citei o Bon Marché, a Maison de La Rêve, a exposição inédita e mundial de Monet no Palais Royal, a medaille miraculose, o pôr do sol em montmartre, o le deux moulin (de Amelie Poulain) etc...de modo que há muita conversa ainda, cherie.
Seu livro voltou "surradinho", de tanto andar comigo. Dentro dele muitas coisas foram sendo colocadas, incluindo anotações e comentários que fiz com você, sobre tudo o que vivi e me inspirei .
Obrigada pela companhia e por compartilhar o seu (nosso) amado quartier, Danuza!
Beijos, Gê

O livro companheiro,cheio de dicas, anotaçoes, folhas secas, mapas, etc.



Marie Antoniette insistiu em vir conosco. Não pude negar, trouxe!
Reparem o palácio de Versalles atrás!
 

Um comentário:

Clara Lucas disse...

Que narrativa mais interessante ! Fiz algo parecido em Lisboa, seguindo um texto de Fernando Pessoa sobre as vistas das colinas. Assim, ilustrado, comentado e com sabor, está demais.

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